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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

'Secar Pacajus' para garantir água para Fortaleza


Indo para o quinto ano seguido de seca severa, Fortaleza vai adotar a partir de 2017 o reuso da água de esgoto. O anuncio é do governador do Ceará, Camilo Santana (PT), que assim espera evitar o colapso de água na Região Metropolitana de Fortaleza. Ele diz que se for preciso 'vamos secar o açude Pacajus para garantir água para Fortaleza e Região Metropolitana'.
Segundo o governador, a água de esgoto será reutilizada na indústria. "Para o consumo humano estamos aguardando as águas da transposição do Rio São Francisco, que estão previstas para chegar no Ceará no segundo semestre de 2017", aposta Camilo Santana.
Camilo inaugurou o Sistema de Captação Pressurizada do Açude Gavião, em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza. A obra pretende evitar o desabastecimento de água caso haja agravamento da crise hídrica e não se mantenha o nível de reservação das águas do Gavião. A nova estrutura foi concluída no prazo de 50 dias e contou com investimento de R$ 6,8 milhões provenientes da Tarifa de Contingência aplicada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).
Camilo Santana destaca a urgência de ações do Governo na Região Metropolitana de Fortaleza, ressaltando a questão hídrica como grande preocupação para os próximos anos. "Essa é mais uma ação que faz parte do plano em relação ao problema da água na Região Metropolitana. Já fizemos o reuso de água, bateria de poços no Pecém, adutora do Maranguapinho, e inauguramos o reuso da água do Pacajus. Estamos fazendo a pressurização do bombeamento da água do Gavião, exatamente porque se tivermos problema de rebaixamento da cota do açude a gente vai acionar as bombas flutuantes e garantir o abastecimento para Fortaleza e toda a Região Metropolitana", disse.
A nova estrutura no Gavião faz parte do Plano de Segurança Hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza. É um conjunto de medidas apresentados pelo Estado que busca a redução em 20% do consumo de água até a próxima quadra chuvosa (fevereiro a maio de 2017). As ações são executadas de forma emergencial até março de 2017. Com investimentos orçados em R$ 64,1 milhões, o plano prevê contrapartida de setores da sociedade, principalmente com a conscientização da população para o uso responsável e sem desperdício da água.
"Inauguramos algo inovador que foi o reuso da água de lavagem dos filtros da Estação Gavião. Com isso estamos economizando 300 litros por segundo, o que equivale a mais do que abastecer a cidade de Sobral. Recentemente também inauguramos uma adutora no Maranguape, tirando água do Maranguapinho. Hoje, a água que ia da Estação Gavião para Maranguape não precisa mais ir porque está sendo abastecido com o Rio Maranguapinho, exatamente para preservar a água de Fortaleza e Região Metropolitana. Em janeiro de 2017 vamos inaugurar a bateria de 42 poços no Pecém, que vai exatamente abastecer toda a Siderúrgica e evitar que a água do Castanhão vá para o Complexo Portuário do Pecém. Vamos usar a água do Cauípe também para abastecer o local, diminuindo o uso da água aqui do Gavião. Todo o Pacoti foi recuperado. Estamos jogando dez metros cúbicos por segundo no bombeamento do Gavião. E ainda vamos usar toda a água do Pacajus, lá tem quase 30 milhões de metros cúbicos. Se precisar vamos secar o Pacajus para que não falte água em Fortaleza e na Região Metropolitana", promete Camilo Santana.
A Cagece e a Secretaria de Recursos Hídricos do Estado apresentaram balanço do consumo de água em Fortaleza e Região Metropolitana em 2016. Os dados mostram que, de janeiro a novembro deste ano, o consumo de água teve redução de 12,7% comparado com 2014. O percentual significa um volume de 18 milhões de metros cúbicos a menos, o que seria suficiente para abastecer por dois meses Fortaleza. A redução se deve a implantação da tarifa de contingência, que visa a estabelecer meta de consumo. Em 2016, cerca de 23,16% das faturas emitidas pela Cagece em Fortaleza e Região Metropolitana tiveram cobrança da tarifa de contingência. Em novembro, 277 mil clientes pagaram a tarifa por não conseguirem consumir dentro da meta estabelecida. Desde que foi implantada a tarifa, a Cagece arrecadou R$ 64,5 milhões. Deduzidos os tributos, o saldo acumulado é de R$ 47 milhões. O arrecadado é utilizado na redução de perdas, conforme determinação das agências reguladoras.

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