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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Em Messejana

Na próxima sexta-feira (24), o bairro de Messejana ganha programação especial com a segunda edição do Carnaval, Cidadania e Resgate de Memórias. A partir das 18 horas, tem cortejo e apresentação doMaracatu Vozes da África com cerimônia de coroação de reis e rainhas negras, apresentação de danças e reis de congos em homenagem a um dos precursores dos congos em Fortaleza – o preto Xavier. Em seguida, acontecem as apresentações do tetracampeão do Carnaval de rua de Fortaleza, o Afoxé Acabaca, do Bloco Doido é Tu e, para encerrar a programação, o ritmo negro dos Batuqueiros da Caravana Cultural.
O projeto tem como objetivo o resgate das festas e tradições negras. Promove diversas ações culturais e de cidadania, levando também entretenimento à população no período do Carnaval. Teve início em 20016 e esse ano foi selecionado pelo XI Edital Ceará do Carnaval do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria de Cultura.
A cultura negra é uma das bases na formação do povo brasileiro. Na língua, nas artes, no folclore, nos hábitos alimentares, nas técnicas de trabalho, no imaginário nacional e na religião, essa contribuiu decisivamente. Porém, “nas últimas décadas do século XIX, Fortaleza passou por grandes transformações urbanas, sociais e políticas. Nesse contexto, as manifestações culturais festivas negras que ocorriam na cidade, principalmente as carnavalescas, sofreram perseguições, preconceitos e tentativas de cerceamento. Para resistir, essa cultura revelou constantes reelaborações e ressignificações a partir das vivências dos sujeitos que atuavam nessas festas”, explica Kildery Bezerra Silva, um dos idealizadores do projeto.
O Carnaval, Cidadania e Resgate de Memórias propõe a revitalização de práticas culturais negras ligadas às tradições carnavalescas, como as coroações de reis negros - como as que aconteciam na Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Fortaleza, os cortejos e as apresentações de grupos de congos ou congadas - como os autos de rei congo que eram encenados nas praças e terrenos murados, além dos cortejos, rodas de sambas e maracatus que foram bem comuns durante todo o século XIX em diversos pontos na capital, antes Província do Ceará.
Kildery Bezerra destaca ainda que essas “festas de negro” foram importantes na cena cultural e festiva da cidade, colaborando para que os negros se afirmassem como sujeitos da história. Daí a relevância do projeto, que iniciou no ano passado e busca se firmar no Carnaval da capital cearense como uma opção de programação cultural gratuita para toda a população.
PROGRAMAÇÃO
CARNAVAL, CIDADANIA E RESGATE DE MEMÓRIAS
Data: 24/2/17 (sexta-feira)
Horário: A partir das 19 horas 
Local: Praça Artur Braga (Estrada Barão de Aquiraz, 999, Messejana)
Cortejo e Apresentação do Maracatu Vozes da África/CE. Após a apresentação, acontecerá a Cerimônia de Coroação de Homens e Mulheres Pretos
Congos – Festa pra Xavier: Apresentação do Reisado de Congos Nossa Senhora de Fátima
Bloco Doido é Tu
Batuque e Congos – Festa pra Xavier: Apresentação do Afoxé Acabaca
Batuque e Congos – Festa pra Xavier: Apresentação dos Batuqueiros da Caravana Cultural
SOBRE AS ATRAÇÕES:
MARACATU VOZES DA ÁFRICA 
Criado no dia 20 de novembro de 1980, data em que se comemora no Brasil o Dia da Consciência Negra, o Maracatu Vozes da África surgiu por iniciativa de um grupo de escritores, folcloristas e carnavalescos, liderado pelo Jornalista Paulo Tadeu Sampaio de Oliveira. A proposta era criar mais um maracatu, para participar do Carnaval de Fortaleza, porém, o Grupo foi assumindo postura e comportamento que o diferenciava dos demais. Por ordem cronológica, o Vozes da África é, hoje, o terceiro grupo mais antigo do nosso Carnaval.
O Vozes da África inovou e renovou, sem perder suas raízes e a tradição em seus 30 anos de atividades. Realizou mais de 1000 apresentações públicas, procurando mostrar o aspecto didático da cultura afro-brasileira, com incursões por países como Argentina, Uruguai, Guianas Francesas, França e Finlândia. No Brasil, já se apresentou em várias capitais e cidades do interior do Ceará.
Atualmente, a Associação Cultural Maracatu Vozes da África é um Ponto de Memória Social, através do Edital Pontos da Memória 2013 do IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus. Foi contemplado no Edital Ideias Criativas da Fundação Cultural Palmares no ano de 2013, com o projeto Agôtime, a saga de uma rainha.
O Maracatu Vozes da África foi campeão do Carnaval de Rua de Fortaleza 2014 e continua desenvolvendo várias atividades artísticas, além de uma programação para comemorar a fundação do Maracatu no Dia da Consciência Negra.
Em sua sede, localizada na Rua Padre Mororó 1217, abriga a galeria Paulo Tadeu, com grande acervo e fotos, bem como 92 troféus conquistados ao longo de seus 34 anos de atividades, sendo 13 deles de campeão do Carnaval de Rua de Fortaleza. Seu atual presidente é Francisco Aderaldo de Oliveira.
REISADO DE CONGOS NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
Em um espetáculo cheio de cores e brilhos, cânticos e danças, batuques e ritmos, o Reisado Nossa Senhora de Fátima trabalha desde 2009 com crianças, jovens e adultos da Barra do Ceará para fortalecer e manter viva a cultura popular de reisado. Tendo à frente o Mestre Kiliano , o grupo também executa a função social de ocupar o tempo ocioso de crianças e jovens com ensaios, vivências e apresentações, assim cooperando para a redução da violência, da criminalidade.
O reisado é uma dança popular que pode ser dançada em qualquer época do ano, mas a tradição é no período de 24 de dezembro a 6 de janeiro, dia de reis. Encenando o nascimento do menino Jesus e a visita dos três Reis Magos, os brincantes se trajam de vestes coloridas e saem de cortejo de casa em casa, com cantos e danças, que louvam o menino Jesus, anunciando a chegada do Messias.
AFOXÉ ACABACA – Associação Cultural Afro Brasileira Afoxé Camutuê Alaxé – Orá Sabá Omi
Fundado em maio de 2006, com o intuito de divulgar as religiões de matriz africana e lutar contra todo tipo de preconceito, é o afoxé mais antigo em atividade no Ceará, o Bloco de Afoxé Camutuê Alaxé (ACABACA) vem preencher um espaço no meio cultural cearense e se propõe a ser mais um componente na diversidade cultural do estado, atualmente tetracampeão do Carnaval de Rua de Fortaleza.
Embalado pelo toque dos agogôs, abês e atabaques, o Acabaca canta e dança para os Orixás e para todos aqueles que admiram, respeitam e se identificam com a cultura afro-brasileira.
O Afoxé Acabaca possui em sua apresentação de palco cerca de 15 componentes que tocam, cantam e dançam o ijexá, além de mesclar com outros ritmos de raiz afro-brasileira como o samba, o jongo e ritmos sagrados tocados e cantados nos terreiros de candomblé.
BATUQUEIROS DA CARAVANA CULTURAL
Fundada em 2003, é uma associação cultural que atua na área de ensino, pesquisa, e difusão de manifestações artísticas, ritmos, batuques e folguedos da tradição afro-descendente que contribuíram diretamente para a formação da identidade cultural brasileira tais como: Maracatu de Baque Virado, Maracatu Cearense, Afoxé, Bumba Meu Boi, Jongo, Afro-étnicos nigerianos, Coco e Sambas (Samba Reggae, Samba de Roda, Samba de Coco, Samba de Caboclo e Samba Enredo).
Essa difusão cultural já ocorreu não somente em Fortaleza e no interior do Ceará, mas em várias cidades e estados do Brasil e do mundo, como Recife, Olinda, Arcoverde, São Paulo, Salvador, João Pessoa, Alagoas, São Luís, Guaxupé, Poço Fundo, Hungria, França, Estados Unidos, Alemanha, Guiana Francesa, Tunis, entre outras.
BLOCO DOIDO É TU - Iniciado em 2007, o Bloco “Doido é Tu”, é o elo que liga todas as ações de promoção de Saúde Mental da Fundação Educacional Silvestre Gomes e confere visibilidade às mesmas. Reunindo aproximadamente 600 pessoas, o bloco tem a seguinte composição: 70% usuários e familiares, 10% profissionais da Rede de Saúde Mental, 20% amigos: artistas, educadores e simpatizantes do movimento antimanicomial.
O Bloco “Doido é Tu”, campeão no desfile oficial do Carnaval de rua de Fortaleza nos dois ultimos anos, é por excelência um espaço de empoderamento. Por meio dessa ação, cada pessoa vivencia situações que possibilitam alternativas para melhor trabalhar a própria realidade pessoal e social, encontrar em sí e no outro formas de cooperação e o suporte para vencer as dores da alma e reavivar os sonhos, assumindo assim, o comando sobre os fatores que afetam sua saúde.
A própria organização e gestão do bloco estimula a cooperação mútua e possibilita o exercício da participação democrática e do empoderamento social. A gestão é feita por uma comissão colegiada composta por três representantes de cada unidade de saúde mental: um profissional, um usuário e um familiar. As decisões do bloco são tomadas de forma coletiva pela comissão e compartilhada em rodas de articulação das atividades do bloco nas unidades de saúde mental.

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