Ceará Jazz Series

O festival Ceará Jazz Series - Temporada Permanente de Jazz, que vem promovendo shows com grandes nomes da música cearense prestando homenagem a mestres e obras-primas do jazz, tem novo show no Teatro do Centro Dragão do Mar na sexta-feira (quatro), às 20 horas, com entrada franca. A apresentação traz o guitarrista e violonista Marcos Maia, capitaneando um grupo de aplaudidos músicos de Fortaleza prestando tributo a Django Reinhardt e ao "gipsy jazz", o jazz cigano (ou jazz manouche), uma vertente diferenciada contemplada pelo Ceará Jazz Series, que já promoveu homenagens a artistas como Miles Davis, Dave Brubeck, Chet Baker, Thelonious Monk, John Coltrane e Billie Holiday.
O show tem entrada franca e os ingressos serão distribuídos a partir das 17h, nas bilheterias do Dragão do Mar, mediante doação de um quilo de alimento, destinado à Associação dos Amigos e Voluntários do Hospital São José. Assim como é característica do Ceará Jazz Series, o show "Marcos Maia - Tributo a Django Reinhardt" será precedido por um bate-papo com os músicos, às 18h30 da sexta-feira, 4/11, no próprio teatro, como forma de aproximar artistas e público, em um debate informal sobre a obra de Django Reindhart, o jazz manouche e a preparação do show.
A apresentação também será especial por constituir um reencontro de Marcos Maia com o público cearense. Atualmente, o violonista, guitarrista e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) se dedica a um doutorado na Unicamp (SP). O show em homenagem a Django Reinhardt conta com um time de craques da cena musical cearense, escolhidos e arregimentados por Marcos Maia especialmente para este espetáculo inédito. O público terá o privilégio de conferir clássicos do jazz manouche, como "Swing 42", "Nuages" e "Djangology", na interpretação de Marcos, Paulo Leniuson (violino, integrante da Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho), Lucas Araújo (violões),Claudio Miranda (contrabaixo acústico) e Marcelo Holanda (bateria).
O jazz cigano
"Segundo Babik Reinhardt, falecido guitarrista e filho de Django, seu pai levou o jazz para a cultura cigana dos manouche, criando assim um estilo resultante do jazz e música cigana, o 'jazz manouche' ou 'gypsy jazz'. Dessa forma ele inaugura um capítulo na história do jazz, numa vertente européia, apresentando ao mundo gravações de composições próprias com improvisações de uma linguagem peculiar juntamente com standards do jazz americano", aponta Marcos Maia, sobre a escolha por homenagear Django Reinhardt nesta nova edição do Ceará Jazz Series.
"Django também introduziu uma nova sonoridade tímbrica por meio da reunião de instrumentos de cordas friccionadas (contrabaixo acústico e violino) e três violões para a base rítmico/harmônica, tendo-o como solista ao lado do violinista Stephanie Grappeli. Essa formação original deu novo formato ao jazz combo, sem bateria, piano ou metais, mas de rítmica acentuada ou swing. Nos últimos anos Django experimentou a guitarra elétrica e a inserção de bateria, piano e clarineta. Porém, seu principal legado, que permanece até os dias atuais, é a execução do jazz cigano com os instrumentos acústicos em sua primeira formação no quinteto Hot Clube de France. Atualmente, David Reinhardt, filho de Babik, neto de Django, é o herdeiro direto dessa tradição musical", acrescenta Marcos Maia, sobre a permanência do legado musical de Django.
Jazz cigano: levada, ritmo, swing
Marcos Maia ressalta a levada tradicional do jazz cigano, que será exemplificada no show do dia 4/11 no Teatro do Centro Dragão do Mar. "'La Pompe' é a denominação para a levada de mão direita do violonista/guitarrista do jazz cigano. Fora as valsas ciganas, o jazz manouche se baseia em compassos quaternários similar ao jazz americano, procurando acentuar os contratempos, uma característica do que se denomina 'swing'", descreve. "Há variações sobre a levada "la pompe" que podem ser ouvidas nas gravações de Django e nos músicos atuais. Mas o importante é não perder o swing e a regularidade rítmica". 
A escolha dos músicos para o show
O violonista cearense destaca que a escolha dos músicos para o show do dia 4/11, no Teatro do Centro Dragão do Mar, foi "espontânea e natural" tendo como critério a intimidade do instrumentista com o repertório do jazz cigano de Django Reinhardt e a linguagem peculiar de improvisação do gypsy jazz. "OS músicos convidados para esse projeto compactuam um gosto e uma preferência musicais comuns em suas formações. A leve bateria pode compensar muito bem a ausência de um terceiro violão, contribuindo com o swing", aponta.
A seleção de repertório
Para o show do dia 4/11, pelo Ceará Jazz Series, Marcos Maia optou por selecionar diferentes temas dentro do vasto universo da obra de Django Reinhardt. "A opção de um repertório envolvendo mais de um disco de Django se justifica pela facilidade em improvisar sobre músicas já bem conhecidas dos instrumentistas participantes e já também bastante divulgadas e executadas por outros músicos do jazz manouche. O repertório conta com composições de Django, como 'Minor Swing', 'Swing 42', 'Djangology', 'Nuages', 'Anouman', 'Rhythm Futur', 'Daphné', 'Improvisation 2', além de releituras como 'Brasil', do Ary Barroso, 'Limehouse Blues' (P. Braham & D. Furber) e o primeiro movimento de um concerto para violino de J.S.Bach em Ré menor", detalha.
Mais sobre Django Reinhardt
Django Reinhardt nasceu aos 23 dias de janeiro de 1910, em Liberchies, na Bélgica, e faleceu em Fontainebleau, na França, aos 16 de maio de 1953. Muitos guitarristas e violonistas renomados comentam a influência de Django Reinhardt em suas formações musicais. Entre eles, John Mclaughlin, Jeff Beck, Steve Howe, Bireli Lagrene, Stochelo Rosenberg, Christian Escoudé, Jimmy Rosenberg, John Williams, Julian Bream e Yamandu Costa.
O "gypsy jazz" de Django está presente nas edições de livros sobre a história do jazz, em "songbooks" de transcrições dos temas e improvisações do músico cigano e em documentários sobre sua vida e sua música. Vale ressaltar a importância dos festivais de jazz que têm dado oportunidade aos músicos e grupos de gypsy jazz se apresentarem, como os de Samois-Sur-Seine na França, de Jazz Manouche de Piracicaba (SP, este ano em sua 4ª edição), além do Ceará Jazz Series.
Django Reinhardt não lia partituras nem tinha conhecimentos teóricos sobre música. Tocava "de ouvido", como se diz comumente, uma tradição oral que se estende a muitos de seus descendentes musicais até os dias atuais. "Quem sabe um dia a 'escola' do gypsy jazz de Django seja inserida nos currículos das escolas de jazz no mundo inteiro, algo que só depende dos agentes do ensino formal", ressalta Marcos Maia.
Em dezembro, tributo a Dave Brubeck
Já em dois de dezembro, também pelo Ceará Jazz Series, no Teatro do Centro Dragão do Mar, o saxofonista, flautista, compositor, arranjador e também professor universitário Márcio Resende arregimenta grandes instrumentistas para um novo desafio: recriar ao vivo no palco o disco "Time Further Out", de Dave Brubeck, lançado em 1961.
Nada menos que o álbum que sucedeu o clássico "Time Out", uma das obras mais bem-sucedidas da história do jazz, com Dave Brubeck, Paul Desmond, Eugene Wright e Joe Morello mergulhando ainda mais fundo na experimentação rítmica e na criação sobre compassos compostos. O disco "Time Out", que foi recriado no palco em uma das primeiras edições do Ceará Jazz Series, foi tema de um dos shows mais aplaudidos do projeto. Que venha então o desafio deste novo espetáculo.
SERVIÇO
Festival Ceará Jazz Series. Show "Marcos Maia - Tributo a Django Reinhardt". Sexta-feira, 4/11, às 20 horas, no Teatro Dragão do Mar. ENTRADA FRANCA. 
Às 17 horas começa a distribuição de ingressos, nas bilheterias do Centro Dragão do Mar (até dois ingressos por pessoa, mediante doação de um quilo de alimento, por espectador, para doação à Associação dos Amigos e Voluntários do Hospital São José). 
Às 18h30 tem bate-papo com os músicos, também com entrada franca. Às 20h começa o show.
Facebook: Ceará Jazz Series.

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