Horas trabalhadas na indústria

Depois de acumularem uma queda de 6,7% nos últimos quatro meses, as horas trabalhadas na produção aumentaram 1% em setembro frente a agosto, na série livre de influências sazonais. No mesmo período, o faturamento ficou estável e o nível de utilização da capacidade instalada no setor recuou 0,3%. As informações são dos Indicadores Industriais, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira, 1º de novembro.
Com a queda de setembro, a utilização da capacidade instalada da indústria ficou em 76,9% na série dessazonalizada, muito próxima do menor nível da série, que foi de 76,8% em julho. "Os Indicadores Industriais de setembro trazem resultados um pouco mais animadores, embora muito aquém do necessário para reverter os números negativos dos últimos meses", destaca a CNI. O faturamento, por exemplo, registra uma queda de 15,5% em relação a setembro de 2015.
"A economia continua estagnada, sem forças muito consistentes de recuperação. A demanda doméstica continua muito fraca, o desemprego ainda não mostra melhora e os poucos sinais do setor externo são incipientes para reverter o quadro", afirma o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.
MERCADO DE TRABALHO - De acordo com a pesquisa, o emprego caiu 0,9% em setembro na comparação com agosto na série com ajuste sazonal. Foi o 20º mês consecutivo de retração no emprego. Na comparação com setembro do ano passado, o indicador registra uma queda de 6,5%. A massa real de salários aumentou 0,9% em setembro frente a agosto, na série que desconta os efeitos sazonais. Na comparação com setembro do ano passado, o indicador registra queda da 4,7%.
Apesar disso, o rendimento médio do trabalhador cresceu 1,7% em setembro frente a agosto, na série com ajuste sazonal. Na comparação com setembro de 2015, o rendimento médio do trabalhador teve crescimento de 2%. O crescimento do rendimento médio do trabalhador e da massa de salários em tempos de redução do emprego ocorre por causa dos reajustes salariais de algumas categorias e da desaceleração da inflação.
Na avaliação de Castelo Branco, a indústria deve reagir no próximo ano. "Há uma acomodação no ritmo de aumento da inflação e os juros começaram a trajetória de queda. Isso deve se intensificar nos próximos meses e, paulatinamente, teremos uma resposta do consumo doméstico nos primeiros meses de 2017", afirma o economista. Segundo ele, a partir daí, o crescimento da economia dependerá dos investimentos.

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