Indústria e Agricultura

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, disse hoje que a agricultura e a indústria têm que andar lado a lado. “Agronegócio é agricultura e indústria, indústria e agricultura. Temos que estar juntos buscando soluções”, afirmou.
Skaf participou de reunião do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag) em evento que comemorou 10 anos de sua criação. Skaf ressaltou a importância do trabalho, voluntário, do conselho. Chamou de importantíssimo o agronegócio brasileiro e lembrou a força de produtos como a cana e a laranja no Estado de São Paulo.
O agronegócio, disse Skaf, foi o primeiro setor da economia brasileira a recuperar a confiança, no segundo trimestre de 2016, o que foi identificado pelo Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro), estudo feito pela Fiesp e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
Da apresentação do ministro Blairo Maggi (Agricultura), convidado para uma palestra no Cosag, ressaltou a atenção dada à busca de eficiência nos produtos em que o Brasil não é competitivo. Também o fato de estar alerta às oportunidades criadas pelas mudanças, sob o governo Trump, do mercado mundial. A pasta da Agricultura está em boas mãos, graças à visão de Maggi, disse.
“Estamos num momento de oportunidade no Brasil”, afirmou Skaf. Como exemplo, lembrou que parou de se falar em aumento de impostos, e foi aprovada emenda constitucional para limitar o crescimento de gastos do governo.
Várias reformas são debatidas, algumas que não saíam do papel durante anos, e agora deverão ser aprovadas. Os juros começaram a cair, lembrou Skaf, e agora é necessário destravar o crédito. O BNDES, disse, não está operando. Está recebendo, mas não está emprestando. “Está errando.”
“O pato está de prontidão”, disse Skaf, quando Maggi ressaltou a importância de não permitir o aumento da carga tributária sobre o agronegócio. O pato surgiu como símbolo da campanha contra o aumento de impostos promovida por diversas entidades a partir de setembro de 2015.
“Nossa confiança no Brasil é muito grande”, disse Skaf. Acima de tudo, somos brasileiros e nos orgulhamos muito disso. Precisamos pôr o país no trilho, com políticas acertadas. E deixar a iniciativa privada trabalhar. A queda do PIB parou, deve haver crescimento de cerca de 0,5% este ano, e o emprego deve ter um início de retomada adiante.
O agronegócio tem papel fundamental para a retomada do crescimento econômico, necessário para a recuperação da arrecadação e a geração de empregos, destacou Skaf.
É semelhante a análise do ministro Blairo Maggi. O setor, disse, pode responder rapidamente, o que aumenta sua importância. “A balança comercial do agro é muito interessante”, destacou. Maggi fez apresentação intitulada Mercado Internacional do agro – análise. O ministro disse que, como primeiro ponto de sua atuação à frente da pasta da Agricultura, tem tentando incentivar os agricultores e industriais a aumentar sua produção e sua produtividade. Procura criar um ambiente favorável ao negócio.
Lembrou que há graves problemas no setor que o poder público deveria resolver e disse que a redução da burocracia interna de seu ministério está em curso, para que essas questões sejam sanadas, segundo item de sua atuação. Um terceiro ponto é a ampliação dos negócios mundo afora. O Brasil tem cerca de 6,9% do mercado mundial agrícola, participação que vem caindo. Para realavancar o processo de exportação é preciso criar mercado, afirmou.
Negociações sanitárias e fitossanitárias (SPS) internacionais são o grande entrave à exportação, não as barreiras comerciais, explicou. São cerca de 600 questões em discussão.
O volume de produção do Brasil tem aumentado, mas o preço dos produtos, em queda, recuou ao nível de 2010. Maggi destacou a diversidade de produtos exportados e de mercados, o que diminui a vulnerabilidade brasileira, mas 12 produtos agrícolas representaram, em 2016, 88,3% das exportações, com destaque para a soja.
O Brasil precisa chegar a 10% de participação no mercado agrícola mundial, disse o ministro. Parte das iniciativas para mudar o panorama é estudar as fraquezas do país no setor e saná-las. E a contratação de adidos para o setor (25, em 21 postos) deve ajudar.
Há um problema de competitividade do Brasil (42% de produtos competitivos, contra 81% dos Estados Unidos e da União Europeia), que precisa ser identificado e combatido. E o Brasil se concentra muito em poucos produtos. Em pescados, por exemplo, o país é insignificante. Em frutas, representa muito pouco.
A criação de um selo brasileiro está entre as iniciativas do governo, afirmou Maggi. A sustentabilidade tem que ser o foco da mudança de narrativa em relação à produção do agro no país. Destacou que só 8% do território é dedicado à agricultura, e 17%, à pecuária – dos quais metade pode ser revertida, sem redução do rebanho.
O exemplo da China
Em sua apresentação, Maggi mostrou atenção ao comportamento da China. Grande importadora e exportadora, a China compra mais produtos primários e menos processados (proporção de 44% para 56%), e vende mais produtos processados e menos primários (75% contra 25%). A China pretende, disse, controlar as cadeias mundiais de fornecimento agrícola. Seu foco é a Ásia, o mesmo do Brasil. A população do continente é grande, e o poder aquisitivo dela está crescendo.
O ministro considera o investimento em pesquisa, em conhecimento, um grande acerto do Brasil. O ganho para o país foi enorme, permitindo aumento de produtividade. Houve uma revolução nos últimos 40 anos, feita pelo conjunto da sociedade brasileira, disse, projetando conquistas nos próximos 40 anos. E sem afetar a Amazônia, frisou.
O governo Trump já abriu oportunidades, como com o México, que vinha se recusando a dialogar sobre negócios no setor e agora se dispõe a conversar. E outras deverão surgir, disse.
Maggi também disse que está na pauta do governo a inclusão do açúcar e a reinclusão do álcool na troca de ofertas do Mercosul com a União Europeia. Esta semana o presidente argentino Maurício Macri visita o Brasil.
O ministro disse estar convencido da necessidade de importar café. Os números, fornecidos pela Conab, são muito ruins. “Eu deveria estar defendendo os agricultores”, disse o ministro, mas sem produto para processar a indústria se enfraquece, e não há agricultura forte se a indústria não for forte. “Somos carne e unha”, respondeu o ministro Maggi.
Em relação à venda de terras para estrangeiros, Maggi disse que o assunto não é tabu e está em discussão no governo. Revelou preocupação pessoal a respeito de terras para culturas anuais.
10 anos do Cosag
Jacyr da Costa Filho, presidente do Cosag, abriu a reunião agradecendo o comparecimento do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, do secretário do setor em São Paulo, Arnaldo Jardim, do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e outros representantes do Executivo e do Legislativo, além de dirigentes de diversos setores da economia.
Costa Filho lembrou a iniciativa de Paulo Skaf de inserir o agronegócio na Fiesp e ressaltou o acerto do convite a Roberto Rodrigues para ser o primeiro presidente do Cosag. Depois, João Sampaio assumiu. No evento foi feita homenagem a ambos. Também foi lembrado o ministro Blairo Maggi, cuja homenagem foi feita por Skaf.
O agronegócio, ressaltou o presidente do Cosag, se apoia fortemente na pesquisa, feita por exemplo pela Embrapa. Em São Paulo, além das culturas como laranja, cana e borracha, há indústrias de máquinas e implementos e produtos químicos de uso agrícola.
Costa Filho elogiou iniciativas do ministério da Agricultura, como a defesa da sustentabilidade do etanol, e convidou Maggi a ser presença frequente no Cosag.
A pedido de Costa Filho, Roberto Rodrigues relatou as discussões do Conselhão. A seu pedido, o agronegócio foi incluído entre os grandes temas em discussão. Virou tema prioritário do governo, disse Rodrigues – o que, afirmou, não acontecia havia 40 anos.
Dentro do tema agronegócio, os pontos prioritários foram definidos como:
Plurianualidade
Sustentabilidade
Abertura comercial por meio de acordos bilaterais
Infraestrutura e logística
Renda na agricultura, com destaque para o seguro rural
Mario Sergio Cutait, diretor do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), listou estudos da casa, como o Outlook Fiesp e o IC Agro), ambos entregues ao ministro Blairo Maggi.
José Eduardo Camargo, diretor da Divisão de Nozes e Castanhas do Deagro, mencionou o potencial de crescimento do Brasil no setor. Se tivesse tido nos últimos anos a mesma evolução do Chile, exportaria atualmente US$ 153 milhões, disse. Pediu atenção para esses produtos.
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