Guimarães e Domingos Neto são contra o "distritão" aprovado na Câmara

Deputado Domingos Neto (PSD-CE),  à esquerda na foto
O líder da minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), disse hoje (10), ao desembarcar em Fortaleza, que a tese do "distritão" não passa no plenário da Casa. "Na Comissão, eles ganharam por dois votos. Para passar no plenário, é uma PEC - uma Proposta de Emenda à Constituição - tem que ter pelo menos 308 votos. Nós lançamos uma frente ampla contra o distritão. Nós estamos trabalhando muito. É uma frente suprapartidária e, portanto, vai agregar muitos parlamentares", afirmou. O deputado Domingos Neto (PSD-CE) também se declarou contra o sistema conhecido como “distritão” na forma como foi aprovado na Câmara.

"Hoje, o clima já mudou. Eu passei lá hoje de manhã (na Câmara). Ninguém quer mais esse distritão", afirmou Guimarães. De acordo com o parlamentar, esse meio, onde na eleição ganha vagas os mais votados independente da legenda, porque, na visão dele, impede a renovação política. "Isso acaba com os partidos. Ninguém vai precisar mais de partido. Não tem mais ideia. Cada um é um partido. É uma coisa atrasada, de países como a Jordânia. Não podemos importar para cá esse tipo de sistema eleitoral", criticou o parlamentar petista.

Guimarães acredita que a saída para a crise política seja "impor a cláusula de barreira, proibir as coligações e também estabelecer reformas no modelo atual. Abrir o processo de escolha de candidatos, dar oportunidade para os novatos terem os mesmos direitos do que nós". Ele também defendeu o fim do financiamento privado nas campanhas. "É melhor o financiamento público do que o financiamento empresarial", opinou.

Desde ontem, as comissões especiais que analisam a reforma política estão debatendo e aprovando relatórios que podem mudar as eleições no Brasil. Domingos Neto defende o sistema proporcional, mas com o fim das coligações e com o fim do quociente eleitoral mínimo como causa excludente. Domingos Neto faz parte da Comissão Especial que analisa a PEC 282/2016, que veda a coligação partidária em eleições e fixa cláusula de desempenho. O relatório foi lido nesta quinta-feira (10).

“O fim da coligação vai diminuir muito aqueles partidos que são criados apenas para funcionar como legenda de aluguel. Além disso, evita distorções, como aconteceu aqui em que, em uma mesma coligação, os mesmos votos elegeram deputados progressistas e ultraconservadores”, explica Domingos Neto. 

O deputado também defende o fim do quociente eleitoral como cláusula excludente. “Existem casos no Brasil de um partido só eleger 100% da câmara de vereadores porque um outro partido, uma outra coligação não teve o quociente mínimo. Precisamos resolver isso”, avalia Domingos Neto.

Sobre o “distritão”, que será levado ao Plenário, Domingos Neto se diz contra o sistema ser aplicado no Brasil imediatamente. “A minha posição é que eu só avaliaria se fosse dentro de uma transição muito bem pensada e olhe lá. A minha defesa mesmo é que continuemos com o sistema como está, mas sem as coligações e com o fim do quociente mínimo”, resume. 

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